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Mia Couto (nascido em 1955), pseudônimo de António Emílio Leite Couto, é biólogo, jornalista e escritor moçambicano. Aos 14 anos, publicou seus primeiros poemas no jornal Notícias da Beira.

Foto: François Guillot / Agence France-Presse
Seu primeiro romance, escrito em prosa poética, “Terra sonâmbula” (1992), é considerado um dos dez melhores livros africanos do século XX. Sua narrativa se passa em Moçambique, em meio à guerra civil que se estendeu por mais de uma década, após a independência.
“Mulheres de cinzas” (2015), “Sombras da água” (2016) e “O Bebedor de Horizontes” (2017) formam a trilogia “As Areias do Imperador”, que narra os derradeiros dias do chamado “Estado de Gaza”, o segundo maior império da África dirigido por um africano, na virada do século XIX para o século XX.
Segundo Couto a trilogia “é uma história sobre a vivência do tempo, o modo como diferentes gentes e culturas que partilharam um lugar se encontram e se desencontram no modo como narram e como lembram esse passado. Num primeiro instante, parece que a narrativa conta a história da derrocada de um império e de um imperador africano que dominou todo o Sul de Moçambique no século 19. Mas logo se percebe que não se trata de um romance histórico mas de um texto sobre a construção do medo e das falsas identidades que surjam como resposta de salvação perante esse medo.”
Seu estilo, um dos mais originais da literatura de língua portuguesa, é marcado pelo animismo da cultura africana, pela recriação do idioma, usando neologismos e oralidade, e pela força dos componentes históricos nas suas narrativas, mesclando presente, passado recente e um passado colonial.
Militante da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), participou da luta pela independência: Aqui, o nascimento de uma literatura nacional é contemporâneo do nascimento da própria nacionalidade. […] eu sou mais velho que o meu país. É uma circunstância histórica realmente singular.”
Atualmente, concilia o trabalho de escritor com o de professor de ecologia e com o papel de diretor de uma empresa de avaliações de impacto ambiental.
Dentro de cada um há o seu escuro. E nesse escuro só mora quem lá inventamos. Somos nós quem enchemos o escuro com os nossos medos.”
Entre seus diversos prêmios se destacam o Prêmio Camões, o de maior prestígio da língua portuguesa, em 2013, e o Neustadt Prize, de 2014.
Com mais de trinta livros, entre prosa e poesia, é o autor moçambicano mais traduzido e divulgado no exterior.
É o único autor africano membro correspondente da Academia Brasileira de Letras.
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